Parlamentar europeu que investigava abusos do Pegasus foi hackeado com Pegasus, diz relatório

Um fiscal que, na verdade, foi fiscalizado
Um político grego que passou 2022 investigando o uso indevido de spyware pela Europa foi, ele próprio, hackeado com o spyware Pegasus, segundo uma nova análise forense do Citizen Lab da University of Toronto.
Stelios Kouloglou, jornalista investigativo de longa data e ex-membro do Parlamento Europeu, disse que ficou chocado ao saber que seu iPhone havia sido comprometido enquanto ele servia no Comitê PEGA do Parlamento, criado para examinar o uso do Pegasus e de ferramentas semelhantes.
"Não esperava por isso", Kouloglou disse à WIRED. Ele afirmou que a descoberta o deixou com raiva, acrescentando que estar no comitê "investigando o Pegasus e, ao mesmo tempo, sendo hackeado pelo Pegasus" foi "algo realmente temerário."
O Citizen Lab afirma que o telefone de Kouloglou foi alvo várias vezes. Os pesquisadores não identificaram quem estava por trás dos ataques, mas disseram que as intrusões poderiam ter exposto informações internas do comitê e potencialmente violado regras de confidencialidade do Parlamento Europeu, além da privacidade de pessoas discutidas na investigação.
Um spyware conhecido com alcance mais amplo
O Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group, está sob escrutínio há anos. Identificado pela primeira vez pelo Citizen Lab em 2016, o spyware pode explorar falhas de sistemas operacionais móveis para infectar iPhones e dispositivos Android, dando aos operadores acesso a mensagens, listas de contatos, histórico de navegação, fotos, feeds do microfone e da câmera, e outros dados.
O relatório do Citizen Lab diz que esta é a primeira vez que um membro do Comitê PEGA foi identificado como vítima do Pegasus enquanto trabalhava na investigação. Para os pesquisadores, o caso ressalta quão persistente a ameaça continua, mesmo dentro de instituições encarregadas de examiná-la.
John Scott-Railton, pesquisador sênior do Citizen Lab, disse que o episódio destaca o quão disseminado e descarado o direcionamento por spyware se tornou na Europa. "É temporada de spyware aberto contra os legisladores europeus", disse ele. "O Parlamento Europeu, parlamentos nacionais, ninguém está preparado."
A NSO não respondeu ao pedido de comentário da WIRED sobre as conclusões.
A revelação surge enquanto a Europa continua a lidar com as consequências políticas do abuso de spyware — e com a possibilidade de que aqueles designados para investigá-lo possam estar eles próprios na mira.
Fontes:
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